A Caixa não apresentou uma nova proposta para o Saúde Caixa na rodada de negociações com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) do banco, realizada na noite desta terça-feira (25), em São Paulo.
O banco reconheceu a forte insatisfação das empregadas e dos empregados com as duas propostas apresentadas anteriormente e afirmou que decidiu aprofundar os estudos antes de levar um novo modelo à mesa.

“A paralisação do dia 20 deu o recado sobre a insatisfação dos empregados com a atual situação do Saúde Caixa e sobre a necessidade de uma proposta que realmente resolva o problema. Esperamos que o banco traga algo concreto na próxima rodada”, afirmou o diretor do Sindicato Gabriel Musso, que acompanha as negociações em São Paulo.
Segundo o banco, o objetivo é construir uma proposta com maior possibilidade de ser acolhida pelos empregados e que, ao mesmo tempo, seja sustentável para o Saúde Caixa e para a própria Caixa.
A representação dos empregados reiterou a reivindicação de que a Caixa volte a responder por 70% das despesas do Saúde Caixa, ficando os 30% restantes sob responsabilidade dos beneficiários.
Saúde Integral
Mesmo sem apresentar nova proposta para o Saúde Caixa, o banco anunciou avanços na política de Saúde Integral, com ampliação de ações preventivas e acompanhamento multidisciplinar, incluindo saúde mental, saúde cardiometabólica, saúde osteomuscular e prevenção de dependências.
A Caixa informou que pretende custear os novos programas, com previsão de início em janeiro, caso sejam incorporados ao acordo. A representação dos empregados avaliou positivamente as iniciativas, mas destacou que a Saúde Integral também precisa enfrentar as causas do adoecimento relacionadas às condições e à organização do trabalho.
Diversidade, equidade e inclusão
A Caixa apresentou propostas para ampliar a cláusula de diversidade, equidade e inclusão, incluindo atualização das diretrizes, realização do Censo da Diversidade, combate aos vieses inconscientes, fortalecimento dos coletivos e ações de equidade de gênero, raça e acessibilidade. Também propôs capacitações periódicas, especialmente para a alta gestão e bancas de seleção.
Outro ponto positivo foi a proposta da Caixa para simplificar e padronizar o processo de reconhecimento e enquadramento de empregados como PCDs, incluindo pessoas com TEA, com orientação sobre documentos, análise da Medicina do Trabalho e, quando necessário, avaliação biopsicossocial e multiprofissional. O processo também deverá identificar necessidades de tecnologia assistiva e adaptações no trabalho.
A representação considerou a proposta um avanço, mas cobrou critérios mais objetivos, especialmente para pessoas com TEA, além de prioridade no teletrabalho e redução de jornada para PCDs. Também reivindicou mais agilidade nas adaptações dos locais de trabalho e reforçou a responsabilidade da Caixa pelo fornecimento de mobiliário e equipamentos específicos.
Ausências permitidas
O banco também apresentou propostas relacionadas às ausências permitidas aos empregados.
Entre as medidas apresentadas estão:
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retirada do limite de 18 anos para utilização das horas destinadas ao acompanhamento de filho ou enteado em consulta médica;
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criação da chamada “Ausência Fique Bem”, permitindo que as horas hoje utilizadas para acompanhamento de dependentes possam ser usadas pelo próprio empregado para consultas e cuidados com a saúde;
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possibilidade de utilização de determinadas licenças, como casamento e paternidade, em até 180 dias após o fato gerador;
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até três dias por ano para realização de exames preventivos de câncer e HPV;
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até dez dias anuais para empregados de alto rendimento convocados para representar o Brasil em competições esportivas ou paradesportivas oficiais, com previsão de implementação em janeiro de 2027.
A representação sindical voltou ainda a cobrar medidas mais efetivas para enfrentar o endividamento dos empregados, inclusive com condições de crédito mais vantajosas para o quadro próprio. A Caixa informou que já possui iniciativas de educação e acompanhamento financeiro e que analisará as reivindicações apresentadas.
Negociações continuam nesta quarta-feira
As negociações específicas entre a CEE/Caixa e o banco continuam nesta quarta-feira (26), em São Paulo, após a rodada da mesa única da Campanha Nacional dos Bancários entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).