A terceira rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada nesta quinta-feira (16/07) entre os Sindicatos, representados pelo Comando Nacional dos Bancários, e a Fenaban, teve como foco a igualdade de oportunidades, o combate às discriminações, o monitoramento do ambiente de trabalho e o endividamento da categoria.
Na pauta sobre igualdade de oportunidades, o movimento sindical apresentou dados que reforçam a necessidade de ampliar a presença de mulheres, especialmente mulheres negras, em cargos de liderança.
Dados do Dieese mostram que, entre 2020 e abril de 2026, 80% dos 31,1 mil postos de trabalho fechados no setor eram ocupados por mulheres. As bancárias recebem, em média, 18,4% menos que homens brancos na mesma função, enquanto mulheres negras ganham 34,2% menos. Nos cargos de liderança, pessoas negras ocupam apenas 25,2% das posições, e as mulheres recebem, em média, 26% menos que os homens nessas funções.

A vice-presidente do Sindicato, Ana Stela Alves de Lima, que participou da mesa representando a Feeb-SP/MS, destaca como um dos avanços a discussão sobre a ampliação da formação e da qualificação de mulheres na área de Tecnologia da Informação (TI), com a participação de especialistas no tema.
“Conseguimos avançar em temas importantes, especialmente no fortalecimento das políticas de combate ao racismo e ao assédio sexual. Por outro lado, a questão do endividamento preocupa muito a categoria e esperamos que a Fenaban apresente uma resposta concreta às reivindicações", afirmou.
O presidente do Sindicato, Lourival Rodrigues, também acompanhou a negociação e destacou que a pauta da igualdade precisa resultar em medidas efetivas.
"Os bancos costumam destacar a diversidade em seus discursos, mas é preciso transformar esse compromisso em ações concretas. Avançar na igualdade de oportunidades e criar condições para que todos tenham as mesmas possibilidades de crescimento profissional são reivindicações essenciais desta campanha."
Pauta ampla
Um ponto considerado positivo pelo movimento sindical foi a proposta da Fenaban de incluir denúncias de racismo no canal de acolhimento já existente para mulheres vítimas de violência. A medida permitirá o registro de casos envolvendo colegas de trabalho, gestores ou clientes.
"Também houve discussão sobre o combate ao assédio sexual. A proposta apresentada pelos bancos prevê a criação de um rol de condutas, elaborado com base em estudos e publicações de especialistas, para facilitar a identificação e o enfrentamento desse tipo de violência no ambiente de trabalho", detalhou Ana Stela.
Em relação ao endividamento dos bancários, o Comando Nacional destacou que a Consulta Nacional da categoria apontou um crescimento preocupante das dívidas, principalmente com cartão de crédito e cheque especial. A principal reivindicação é a redução das taxas de juros para os empregados do setor. A Fenaban ficou de apresentar uma resposta sobre o tema na próxima rodada.
