A defesa do emprego bancário e a interrupção do fechamento de agências físicas em todo o país estiveram no centro da segunda mesa de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada nesta terça-feira (7).
Durante o encontro, o Comando Nacional dos Bancários, que representa os Sindicatos, solicitou à Fenaban a suspensão imediata das demissões e do encerramento de unidades enquanto estiver em curso a negociação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026-2028.
"Não vamos aceitar esse ritmo de demissões, principalmente porque ele contrasta com os resultados financeiros positivos apresentados pelos bancos, com a expansão da base de clientes e também com a redução dos índices de desemprego no país", afirmou Lourival Rodrigues, presidente do Sindicato, que participou da negociação representando a Feeb-SP/MS.
A pauta da negociação é reflexo das principais preocupações apontadas pela Consulta Nacional dos Bancários, que reuniu quase 55 mil participantes, tendo emprego, manutenção de direitos e assistência à saúde entre os temas prioritários da categoria neste ano de campanha.
Durante a mesa de negociação, o Comando cobrou mais transparência nos processos de reestruturação promovidos pelas instituições financeiras e defendeu que demissões em massa e mudanças organizacionais sejam previamente negociadas com as entidades sindicais.
Os representantes dos trabalhadores destacaram que os cinco maiores bancos do país somaram lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, reforçando que os cortes de postos de trabalho ocorrem em um contexto de elevada rentabilidade do setor.
Outro ponto apresentado foi a retomada das homologações de desligamentos nos sindicatos, com objetivo de ampliar a segurança jurídica e garantir maior proteção no momento da rescisão. A Fenaban informou que levará a reivindicação para análise e apresentará um posicionamento nas próximas rodadas de negociação.
Transformação do setor bancário
Durante a mesa, os representantes dos trabalhadores apresentaram um estudo do DIEESE sobre a transformação da estrutura do setor bancário. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, o Brasil perdeu 9,5 mil agências bancárias, uma redução de 41,7% da rede física. Os bancos privados concentraram a maior parte desse movimento, com retração de 60% no número de unidades, enquanto os bancos públicos registraram queda de 19%. Somente nos cinco primeiros meses de 2026, outras 941 agências foram fechadas.
O levantamento também aponta mudanças na composição do emprego bancário. No Grupo Santander, por exemplo, apenas três das 25 empresas controladas têm atividade bancária como CNAE principal, e os vínculos formais de bancários representam 52% do total de trabalhadores do conglomerado. "Esses dados mostram que o setor passa por uma reestruturação que altera a forma de contratação e a organização do trabalho bancário", observa Lourival.
Outro dado mostra que, enquanto os quatro maiores bancos reduziram mais de 15 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses - sendo que o Santander eliminou 6.196 postos, o Itaú 4.620, Bradesco 3.017 e, o Banco do Brasil, 1.498 postos-, as cooperativas de crédito ampliaram em 102% seus pontos de atendimento.
Para o movimento sindical, o crescimento das cooperativas evidencia a importância da manutenção de uma rede de atendimento presencial para garantir a inclusão financeira e o acesso da população aos serviços bancários.
Próxima rodada
A próxima rodada de negociação está marcada para o dia 16 de julho e terá como pauta igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento. Sindicalize-se e fortaleça a luta da categoria para preservação de direitos, aumento real e mais empregos.
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Bancários e Bancárias: Feitos de Esperança, Movidos pela Luta.
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