Comunicado divulgado pelo Itaú nesta semana surpreendeu os bancários e o movimento sindical ao anunciar mudanças significativas no regime de trabalho híbrido. O banco informou que passará a exigir quatro dias presenciais por semana para os superintendentes, a partir de janeiro de 2027, e três dias presenciais para os demais empregados a partir do primeiro trimestre de 2028.
Para a diretora do Sindicato e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE), Daniele Myiachiro, é necessário total transparência nesse processo de reestruturação, especialmente para que os trabalhadores tenham clareza sobre os impactos das mudanças em sua rotina, deslocamento e organização do trabalho.
"Na nossa base, os mais atingidos serão os bancários das áreas digitais, que atualmente trabalham três dias em home office. O Sindicato está acompanhando de perto essa reestruturação e orienta os trabalhadores a entrarem em contato conosco sempre que necessário", afirma.
Após cobrança da COE, o Itaú aceitou incluir o tema na reunião do próximo dia 1º de julho, quando será entregue à direção do banco a pauta específica de reivindicações dos funcionários.
Campanha Nacional
O documento foi aprovado durante o Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú Unibanco, realizado em São Paulo, e reúne as principais demandas da categoria para a Campanha Nacional dos Bancários 2026.
A entrega da pauta marca o início das negociações específicas com o Itaú. No dia seguinte, 2 de julho, o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban realizam a primeira rodada de negociações da campanha nacional, dando início ao processo de discussão das reivindicações de toda a categoria.
Além das mudanças no trabalho híbrido e das constantes reestruturações promovidas pelo banco, outro tema prioritário da pauta é o avanço do adoecimento entre os funcionários do Itaú. A pressão por metas, o assédio moral, a sobrecarga de trabalho e a insegurança provocada pelo fechamento de agências estão entre os principais fatores apontados pelo movimento sindical para o aumento dos afastamentos por problemas de saúde.
A regulamentação do uso da inteligência artificial também integra as reivindicações da campanha deste ano. O Sindicato defende a adoção de regras que garantam transparência na utilização das ferramentas, respeito à privacidade dos trabalhadores, cumprimento da jornada de trabalho e princípios éticos na implantação das novas tecnologias, assegurando que a inovação não resulte em mais controle, precarização ou sobrecarga para os bancários.