Sindicato dos Bancários de Campinas e Região

 

Durante a reunião, representantes da categoria cobraram da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) mudanças urgentes nas práticas de gestão adotadas pelo setor financeiro, apontadas como responsáveis pelo aumento dos afastamentos e doenças relacionadas ao trabalho.

O movimento sindical também apresentou a proposta de construção de um “Pacto pela Saúde”, envolvendo bancos e trabalhadores, com foco na prevenção do adoecimento e na criação de ambientes de trabalho mais saudáveis.

O presidente do Sindicato, Lourival Rodrigues, que participou da negociação, destaca que o debate não questiona a existência de metas, mas a forma como elas são impostas aos trabalhadores.

Não estamos discutindo o fim das metas, mas a maneira como elas são cobradas. O modelo atual de gestão nos bancos tem provocado adoecimento em larga escala. A pressão permanente, o assédio moral organizacional e os sistemas de avaliação atrelados à remuneração criam um ambiente de trabalho adoecedor, baseado no medo e na competição excessiva”, afirmou.

 

 

O agravamento dos problemas de saúde mental na categoria, com destaque para o aumento de casos de ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de burnout, foi denunciado pelos bancários em números:

"Os casos de afastamento acidentário por transtornos mentais no setor financeiro, como exemplo, passaram de 9,3% para 20% entre 2012 e 2024 — o maior crescimento registrado entre todos os setores da economia no período", diz Lourival.

Apenas no subsetor bancário, os transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários em 2024 como apresentado na reunião. Já as LER/DORT, doenças relacionadas aos esforços repetitivos e sobrecarga de trabalho, representaram 20,3% dos casos.

A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, também reforçou a relação entre os altos índices de afastamento e as práticas de gestão do setor financeiro.

“Os dados do INSS, com base em informações da plataforma Smartlab, confirmam que o padrão de adoecimento que antes era mais concentrado na categoria bancária se espalhou para todo o ramo financeiro. Isso é consequência de ambientes organizacionais marcados por metas abusivas, sobrecarga de trabalho e estímulo à rivalidade, em vez da colaboração saudável”, destacou.

Reivindicações da categoria

Entre os principais pontos apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários estão:

  • realização de levantamento das causas dos afastamentos, com fornecimento, pelos bancos, dos dados epidemiológicos e documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme determina a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1);
  • combate aos fatores de risco psicossociais, como metas abusivas, sobrecarga de trabalho, assédio moral e hipervigilância algorítmica;
  • participação dos trabalhadores na implementação da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem riscos psicossociais relacionados ao trabalho;
  • cumprimento das Normas Regulamentadoras NR-17 e NR-7, voltadas à adaptação das condições de trabalho às capacidades psicofisiológicas dos trabalhadores e à prevenção e diagnóstico precoce de doenças ocupacionais.

 

Como encaminhamento da reunião, a Fenaban aceitou discutir a implementação da NR-1 e os demais pontos apresentados pelo movimento sindical já no primeiro encontro da Campanha Nacional Unificada 2026, previsto para ocorrer entre o fim de junho e o início de julho.

Com isso, o tema saúde deve abrir a série de negociações para renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, reforçando a urgência do debate diante do avanço do adoecimento entre os trabalhadores do setor financeiro.

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