
Campinas, abril de 2026 – O fechamento de agências bancárias segue avançando de forma acelerada na região de Campinas e já impacta diretamente o acesso da população aos serviços financeiros.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados do Banco Central, realizado a pedido do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região, aponta que 189 agências foram fechadas entre 2019 e 2025 nas 37 cidades que compõem a base do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região — uma redução de 36,5% no período.
Um dos cenários mais expressivo é o de Campinas. A principal cidade da região perdeu 96 agências, passando de 224 unidades em 2019 para 128 em 2025 — uma queda de aproximadamente 42,9%.
Outros municípios também registram reduções significativas, evidenciando um movimento regional de desmonte da rede física bancária:
- Americana: de 35 para 23 agências (-34,3%)
- Hortolândia: de 15 para 8 (-46,7%)
- Indaiatuba: de 26 para 19 (-26,9%)
- Itatiba: de 12 para 7 (-41,7%)
- Lindóia: perdeu as duas agências que possuía (100%)
- Louveira: de 6 para 3 (-50%)
- Monte Alegre do Sul: de 4 para 1 (-75%)
- Sumaré: de 22 para 15 (-31,8%)
- Valinhos: de 16 para 10 (-37,5%)
Para o presidente do Sindicato, Lourival Rodrigues, os números vão além de uma simples mudança estrutural impulsionada pela digitalização e pelo Pix: “eles revelam um processo de exclusão financeira que atinge especialmente idosos, clientes com dificuldade de acesso à internet, vítimas do avanço dos golpes digitais e moradores de regiões mais afastadas.”
Outro alerta: “O discurso da digitalização não pode servir de justificativa para o abandono das cidades. O que estamos vendo é o fechamento de agências mesmo com os bancos registrando lucros elevados. Isso reduz o acesso da população, além de sobrecarregat trabalhadores bancários e clientes nas unidades que restam”, avalia.
Estudo do Sindicato aponta que, nos últimos seis anos, a região Central de Campinas foi a mais afetada, com uma redução de 35, em 2019, para 12 agências atualmente dos principais bancos: Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa. “Uma realidade que também é contrária ao projetos municipais de revitalização do local”, completa Rodrigues.
Nacional
O cenário regional acompanha uma queda expressiva na rede física bancária em nível nacional. Segundo estudos do Dieese, nos últimos dez anos, o Brasil perdeu 37% das agências bancárias. Atualmente, restam pouco mais de 14 mil unidades em funcionamento no país.
Hoje, 638 municípios não possuem qualquer agência bancária. São cerca de 6,9 milhões de pessoas desassistidas. No total, quase metade das cidades brasileiras (48%) não conta com atendimento presencial, atingindo aproximadamente 19,7 milhões de cidadãos.
“Para nós, isso não é evolução. É exclusão. Trata-se de uma estratégia deliberada dos bancos que, mesmo com lucros bilionários, reduzem sua presença física, enxugam equipes e ignoram sua função social. É dever de toda a sociedade reagir a esse cenário”, destaca o presidente do Sindicato.
FONTE: Sindicato dos Bancários de Campinas e Região / Dieese / Banco Central
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