
O avanço tecnológico no sistema financeiro brasileiro é inegável. Ferramentas como aplicativos, internet banking e o Pix transformaram a forma como nos relacionamos com os bancos. Muitos de nós sequer precisamos ir até uma agência no dia a dia.
Mas é preciso destacar: nem todos. Ou seja, o serviço bancário, a figura do profissional na agência, o local como ponto de estabilidade e de diálogo, continuam necessários e a modernização não serve de justificativa para fechamento de agências, demissões em massa e, principalmente, para o abandono de milhões de brasileiros.
Dados revelados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estáticas e Estudos Socioeconômicos), com base em informações do Banco Central, mostram que o país perdeu 37% das agências bancárias em apenas dez anos, restando pouco mais de 14 mil unidades em funcionamento.
Mais grave: 638 municípios atualmente não possuem qualquer agência, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas desassistidas. Hoje, quase metade das cidades brasileiras (48%) não conta com atendimento bancário presencial, impactando aproximadamente 19,7 milhões de cidadãos.
A nossa região segue esse movimento. Levantamento do Dieese, para o Sindicato, aponta para 189 agências fechadas em nossa base, entre 2019 e 2025. Somente Campinas, perdeu no período 96 agências, com impacto direto no atendimento a população. Das 35 agências da região central (dos cinco maiores banco: Bradesco, Santander, Itaú, Banco do Brasil e Caixa) restam apenas 12 – isso porque estamos falando de uma das maiores cidades do Estado.
Os números, assim, não são apenas estatísticos — mas um retrato claro de um processo acelerado de exclusão financeira, que ignora a função social dos bancos. A digitalização não alcança a todos, com milhões de brasileiros que ainda enfrentam dificuldades com acesso à internet, falta de familiaridade com tecnologia ou receio diante de fraudes digitais.
Não se trata, portanto, de nostalgia. Trata-se de acesso, cidadania e justiça social. Com um argumento que não pode ser silenciado: os bancos seguem registrando lucros elevados.
Ou seja, não é uma questão de sobrevivência financeira das instituições, nem de concorrência com cooperativas ou fintechs, mas claramente de uma estratégia de maximização de ganhos. A redução de agências vem acompanhada de terceirização, sobrecarga e adoecimento. E o lucro cresce às custas de quem trabalha e de quem precisa de atendimento.
Em Campinas, neste mês de março, o Sindicato esteve no centro da cidade particularmente contra o fechamento ao público da agência do Itaú na Rua Costa Aguiar, unidade pioneira e histórica na região.
O movimento do setor financeiro vai na contramão até dos esforços de revitalização da região central, ignorando a dinâmica da economia local: onde não há banco, o comércio enfraquece, o crédito se torna mais distante e a circulação de renda diminui.
É por isso que defender as agências físicas e o emprego não significa negar o futuro digital, mas de acreditar que a tecnologia deve ser instrumento de inclusão — nunca de exclusão. E que essa causa não é exclusiva dos bancários, e sim de toda a sociedade.
(atualizado em 9 de abril)

