Nos últimos dias, o país acompanhou casos marcados pela brutalidade: uma mulher atropelada e arrastada por um quilômetro em São Paulo; uma mãe e quatro crianças mortas após incêndio no Recife; e uma trabalhadora baleada à queima-roupa pelo ex-parceiro na capital paulista.
Em Campinas, até o início de novembro, cinco mulheres morreram em casos de feminicídio, incluindo uma gestante de oito meses e uma adolescente de 17 anos. “Neste momento, é ainda mais indispensável que toda a sociedade se junte para combater e impedir qualquer tipo de violência contra a mulher”, afirma a diretora do Sindicato, Kátia Tavernaro.
Ela participa, representando a entidade, da campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, organizada pelo Conselho Nacional de Justiça, entre os meses de novembro e dezembro.
Ela também esteve presente, ao lado da diretora Simone Patette, nesta terça-feira (2/12), do Seminário e Confraternização da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, com o tema “Entre conquistas e desafios: unir para enfrentar, lutar e avançar”.
“A categoria bancária já tem, em sua Convenção Coletiva, cláusulas que garantem canais de denúncia e medidas de proteção à trabalhadora que sofre violência doméstica. Mas devemos lembrar sempre que elas não estão sozinhas e que não devem se calar diante da violência. O Sindicato está ao nosso lado. Nenhuma mulher merece sofrer violência”, destaca.
Estatísticas endossam urgência
O feminicídio, crime motivado pela condição de gênero da vítima, já registra mais de mil mortes no País em 2025. Entre janeiro e setembro, mais de 2,7 mil mulheres sobreviveram a tentativas desse crime. Os números mostram o agravamento da violência: em 2024, houve aumento de 26% nas tentativas.
Somente no primeiro semestre de 2025, o país registrou uma média de 187 estupros por dia, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. As pesquisas indicam ainda que cerca de seis em cada dez vítimas têm até 13 anos.
“Em um momento em que governos, como o do estado de São Paulo, cortam gastos e desmontam mecanismos de defesa das mulheres, devemos juntar forças para combater o avanço da misoginia e do machismo, conscientizando a sociedade sobre todo o impacto dessa violência.”
O cenário evidencia a relevância do debate sobre formas de fortalecer a rede de proteção às mulheres, garantir respostas rápidas do Estado, ampliar o acesso às delegacias e às medidas protetivas, além de reforçar a luta por convenções coletivas com cláusulas de proteção e prevenção de ciclos de violência.
“O movimento sindical repudia toda forma de violência de gênero, expressa tristeza pelas tragédias que se repetem e reafirma que nenhuma vida pode ser perdida pela condição de ser mulher”, afirma.
Caso você ou alguém que você conheça precise de ajuda, busque apoio. O Sindicato, em parceria com a Contraf-CUT, disponibiliza um canal de denúncia para casos de violência contra a mulher, por meio do projeto “Basta! Não Irão Nos Calar!”. O contato pode ser feito por telefone ou WhatsApp: (19) 99814-6417.


