
O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reuniram na última quarta-feira (8/10) para discutir os riscos à saúde relacionados à exposição ao bisfenol A (BPA) e ao bisfenol S (BPS), substâncias presentes em papéis térmicos usados em impressoras e terminais eletrônicos.
O tema foi levantado pela primeira vez em mesa de negociação em 25 de setembro, durante a discussão sobre Evolução da Atividade Econômico-financeira, e motivou o agendamento de um encontro específico para tratar do assunto.
Participou da reunião a vice-presidente do Sindicato e da Feeb-SP/MS, Ana Stela Alves de Lima, que também integra o Comando Nacional. “Os estudos são fundamentais para entender possíveis danos à saúde e, com base neles, definir as ações a serem negociadas. A saúde dos trabalhadores é e sempre será prioridade”, destacou a dirigente.
O Comando defende a adoção de medidas preventivas até que haja resultados conclusivos, como o uso de papéis térmicos sem BPA e BPS. O vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, mencionou durante o encontro o Projeto de Lei 2844/24, que tramita no Congresso Nacional e propõe a proibição da fabricação e importação de papéis térmicos com BPA e BPS em concentrações iguais ou superiores a 0,02% do peso.
O texto foi aprovado em junho na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados e aguarda apreciação nas demais comissões e no Senado.
BPS
Durante o encontro, representantes da Fenaban informaram que os cinco maiores bancos já utilizam bobinas à base de BPS, e não mais de BPA. No entanto, estudos recentes indicam que o BPS também pode representar riscos. Pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 2023, mostrou que a exposição à substância pode afetar o coração, especialmente quando associada à obesidade.
A Fenaban solicitou acesso aos estudos apresentados e propôs a participação de outros órgãos em novas pesquisas sobre os impactos do BPS. O Comando Nacional sugeriu envolver entidades como a Fiocruz, a Fundacentro, ministérios e especialistas independentes. O tema voltará a pauta em nova reunião, ainda não agendada.

