
O Sindicato esteve representado pelas diretoras Daniele Miyachiro e Simone Patette.
O evento discutiu a conjuntura política e econômica, os impactos da tecnologia e da inteligência artificial no setor bancário e os desafios relacionados à saúde e às condições de trabalho.
A abertura foi conduzida pela Coordenação da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú-Unibanco e por integrantes do Comando Nacional dos Bancários, que ressaltaram a importância da unidade e da organização da categoria.
““Os impactos da inteligência artificial precisam ser debatidos, no que tange e eliminação de postos de trabalho, direcionamento dos atendimentos com scripts realizados pela IA. Ainda precisamos discutir com clareza o limite de monitoramento do IUConecta, por exemplo, que usa a geolocalização e se tornou ferramenta de punição e controle", enfatiza a diretora Daniele, que integra a COE.
Avanço tecnológico
Durante o encontro, a economista Cátia Uehara (Dieese) apresentou estudo sobre o avanço tecnológico no setor bancário, que apontou crescimento do emprego em TI e redução expressiva dos postos tradicionais. Segundo o levantamento, o Itaú reduziu em 18,2 mil o número de trabalhadores desde 2009, enquanto ampliou os cortes de agências físicas.
Ao mesmo tempo que reduz sua estrutura física, o banco aumenta investimentos na digitalização. Exemplo é que o Itaú Unibanco, que conta hoje com 17,3 mil funcionários em TI, criou em abril de 2025 o Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú, reunindo 80 pesquisadores em projetos de inteligência artificial generativa e computação quântica, em parceria com instituições como Stanford, MIT e USP.
Saúde em foco
No painel de saúde, o secretário da Contraf-CUT, Mauro Salles, denunciou práticas abusivas de gestão no banco, como cobrança excessiva de metas e monitoramento digital permanente, que vêm adoecendo os trabalhadores. O dirigente defendeu denúncias ao MPT, auditorias externas e limites ao uso dos algoritmos de controle.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o Programa GERA, que funciona como um sistema permanente de monitoramento e ranking de desempenho. Por meio dele, gestores realizam cobranças em tempo real, inclusive fora do expediente, com supervisores enviando mensagens ou ligações via WhatsApp e plataformas internas.
Como encaminhamento, foram apontadas ações sindicais fundamentais, entre elas:
- Denunciar formalmente ao Ministério Público do Trabalho e à Auditoria Fiscal do Trabalho;
- Reivindicar auditoria externa sobre os dados captados pelos sistemas digitais do banco;
- Negociar a readequação do Programa GERA e limites ao uso das plataformas de monitoramento;
- Realizar campanhas de mobilização, reforçando que “Não somos robôs. Conectar não é se submeter”.
(Com Contraf-CUT)