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Data: 02.08.2017 12:30

Artigo: O banco digital, as fintechs e o trabalho bancário


Maria Alejandra C. Madi*

Segundo pesquisa da Febraban, as transações bancárias pela internet ou pelo mobile banking responderam por mais metade das operações financeiras realizadas no Brasil em 2016. Ademais, cresceu o número das contas digitais disponibilizadas pelos maiores bancos do país. Neste ambiente digital, novas tecnologias - tais como analítica avançada e big data, além da utilização da robótica e da inteligência artificial, dos dados em nuvem e de novas formas de criptografia e de biometria – irão possibilitar mudanças na oferta de produtos e serviços bancários. A lógica da onda atual de inovações será crescentemente orientada para o uso mais amigável dos canais digitais por meio de apps para celulares no contexto do mobile banking.

Com efeito, a crescente digitalização das operações financeiras aponta para mudanças no ambiente competitivo, dentre as quais se destaca o intenso crescimento das startups denominadas fintechs, especialmente a partir de 2015, que revela uma nova articulação entre finanças e tecnologia. Tais fintechs são empresas organizadas como plataformas digitais com modelos de negócio orientados para a simplificação do relacionamento com os usuários nas áreas de meios de pagamento, seguros, gestão financeira, e moedas virtuais. Dentre as vantagens do seu modelo de negócios se identificam a redução de custos e de despesas operacionais, a maior agilidade operacional e a capacidade de geração de dados para desenho de produtos e serviços financeiros.

No Brasil, foram criadas 244 fintechs até 2016, dentre as quais se destacam a Nubank, Controly, Neon e Vérios, ente outras. Diante dos novos concorrentes, os grandes bancos começaram a realizar parceiras com as fintechs. O Bradesco, por exemplo, organizou um projeto InovaBra que seleciona startups com o objetivo de produzir soluções tecnológicas para o mercado financeiro. Outros grandes bancos têm iniciativas similares, tais como o projeto Cubo do Itaú e o Radar do Santander. Já o Banco do Brasil criou um projeto no Vale do Silício, o chamado Laboratório Avançado Banco do Brasil (LABB), cujo objetivo é promover o desenvolvimento de uma cultura do empreendedorismo tecnológico no banco.

Considerando as mudanças na oferta de produtos e de serviços financeiros, o Banco Central do Brasil começou a acompanhar a expansão das fintechs em 2016. Com efeito, as transformações ocasionadas por estas startups no mercado financeiro suscitam uma discussão relevante acerca dos impactos das inovações tecnológicas na regulamentação dos novos agentes e instrumentos. O avanço das fintechs coloca novas questões para os órgãos reguladores: Como lidar com as atividades de empréstimo realizadas por plataformas eletrônicas? Como regular as atividades de consultoria e de gestão financeira, caracterizadas pela coleta, tratamento e guarda de informações dos usuários?  Qual o escopo do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários na fiscalização das fintechs?  Ademais, há que questionar juridicamente práticas relativas à segurança da informação, validade jurídica de documentos eletrônicos, assinaturas digitais, armazenamento de dados em nuvem (cloud) e coleta de informações.

Como resultado desse ambiente competitivo e diante dos limites da regulamentação, pode-se afirmar que a atual onda de inovações tecnológicas certamente afetará de maneira decisiva a categoria dos trabalhadores bancários. As estratégias tecnológicas adotadas pelos bancos para o aumento da rentabilidade acentuam as tendências quanto às inovações organizacionais e às mudanças nas relações de trabalho. Na conjuntura atual, dentre as estratégias redutoras de custos, as despesas administrativas continuam sendo controladas rigorosamente pelos bancos com o objetivo de aumentar a eficiência operacional. Assim, é possível afirmar que os futuros impactos sobre o trabalho bancário poderão acentuar a já constatada tendência à pulverização do trabalho bancário no contexto em que a concorrência bancária no Brasil se define no cenário de consolidação de holdings financeiras, isto é, de  unidades de valorização de capital concentradas e com estratégias operacionais diversificadas que apoiam sua expansão na digitalização dos produtos e serviços financeiros.

*A economista Maria Alejandra C. Madi proferiu palestra sobre o tema “Tendências estruturais do sistema financeiro brasileiro e desafios conjunturais” na Conferência Interestadual da Federação dos Bancários de SP e MS, realizada no último dia 13 de julho, em Itanhaém, litoral Sul de São Paulo.


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