
A Caixa Econômica Federal apresentou, neste sábado (29), em São Paulo, o que classificou como sua proposta final para o Saúde Caixa. O tema concentrou boa parte da 10ª rodada de negociações específicas entre o banco e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026.
A proposta será levada às assembleias, que serão realizadas em todo o país, de quinta-feira (3) a sexta-feira (4).
“No Saúde Caixa, uma das nossas principais conquistas é o compromisso do banco em viabilizar a ampliação do limite de participação de 6,5% para até 8% da folha em 2027. Também conseguimos um aporte da Caixa de cerca de R$ 543 milhões para o equacionamento deste ano”, destaca o diretor do Sindicato, Gabriel Musso, que acompanhou a mesa de negociação.
Para ele, o diferencial foi a mobilização da categoria, com adesão em todo o país, especialmente na Caixa, na paralisação do dia 20 de agosto. “É importante destacar que esse novo olhar para o Saúde Caixa está diretamente relacionado à paralisação do dia 20 de agosto, que demonstrou a grande insatisfação dos empregados e ajudou a colocar essa discussão no centro das negociações.”
Outros pontos são melhorias importantes no acesso, como a isenção de coparticipação na telemedicina, mantendo também as internações e os tratamentos oncológicos sem essa cobrança, e aberturas de caminhos para a construção de um modelo mais sustentável para o Saúde Caixa.
“Defendemos a possibilidade de constituição de CNPJ próprio e de busca de novas fontes de receita e a Caixa prometeu avaliar. A CEE lembrou que o acordo em vigência já estabelece que alterações estruturantes devem ser debatidas com a representação dos empregados e exigiu que qualquer estudo seja submetido à mesa de negociação antes da implementação”.
Outros encaminhamentos
Além do Saúde Caixa, houve encaminhamentos importantes para a criação de um grupo de trabalho que discutirá PFG, PCS, Processos Seletivos Internos (PSIs) e remuneração variável, incluindo o Super Caixa.
A CEE cobrou que os trabalhos comecem o quanto antes, logo após a conclusão da campanha, com calendário intensificado de reuniões. Também serão ampliadas as agendas da mesa permanente de negociação e realizadas reuniões específicas para discutir os modelos Figital e Genesys.
No caso do Genesys, o banco se comprometeu a suspender até 31 de dezembro a penalização no Alcance.Caixa - decorrente do transbordo do atendimento. Houve ainda ampliação de cinco para dez minutos no prazo antes do transbordo.
Os empregados reafirmam que é preciso discutir o próprio desenho dos modelos, inclusive o atendimento simultâneo presencial e digital, a sobrecarga e os impactos sobre a organização do trabalho.
Licenças de saúde e abono
Em relação ao adiantamento salarial nos afastamentos por licença de saúde, a Caixa propôs que, quando o benefício for inicialmente indeferido pelo INSS, a cobrança para devolução do adiantamento não seja iniciada enquanto houver possibilidade de recurso. Somente após decisão definitiva começaria o procedimento de devolução.
A empresa também propôs tornar facultativo o recebimento do adiantamento. A CEE defendeu a lógica inversa: manter o pagamento automático, como ocorre hoje, e permitir que o trabalhador manifeste sua opção por não receber, evitando que alguém afastado por doença tenha de realizar procedimentos adicionais justamente em momento de maior vulnerabilidade.
A Caixa trouxe como proposta a possibilidade de converter dez dias de férias em abono pecuniário, independente do período de descanso. A CEE cobrou ainda que a paralisação do dia 20, que será abonada, não interrompa contagens funcionais relacionadas a substituições por prazo, exercício de funções e demais efeitos que possam gerar prejuízo posterior aos empregados.
CEE posicionamento final da Caixa
Ao longo das rodadas, a Caixa apresentou propostas sobre Promoção por Mérito, Saúde Caixa, pessoas com deficiência, monitoramento de metas, atendimento digital, carreira e outras condições de trabalho. Em alguns pontos houve avanços, como a retirada do Alcance.Caixa dos critérios da Promoção por Mérito, a previsão de pagamento dos deltas em janeiro e a suspensão do processo de migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação com a representação dos empregados. Em outros, especialmente no Saúde Caixa, permanecem divergências importantes.
“Conseguimos abrir caminhos importantes para continuar negociando carreira, remuneração variável e condições de trabalho. Mas as assembleias precisam avaliar com atenção todos os pontos que serão levados para as assembleias”, concluiu Luiza Hansen, coordenadora da CEE.
Como fica a proposta do Saúde Caixa
O modelo apresentado pela Caixa modifica a forma de cobrança em relação ao acordo atual. Segundo a proposta, para os empregados da ativa a contribuição passa a variar de acordo com a idade do titular e de cada dependente (veja imagem)

Para os aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto a mensalidade por dependente passaria dos atuais R$ 480 para R$ 660. O teto de comprometimento da renda do grupo familiar subiria de 7% para 9%. A proposta mantém as 13 mensalidades anuais.
Os dependentes indiretos (entre eles filhos de 21 a 27 anos) ficam fora do teto familiar. Deixa de haver a diferenciação que havia entre 21 a 24 e de 24 a 27 anos.
Todos os usuários terão piso de R$ 50. A tabela e as demais regras constam da apresentação feita pelo banco durante a reunião.
Para estimular o uso da telemedicina, que gera menos custos para o plano, esse tipo de consulta passa a ser isento de coparticipação. Internações e tratamentos oncológicos também seguem isentos de coparticipação. O valor da consulta em pronto-socorro subiria dos atuais R$ 75 para R$ 150, e o limite anual por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800.
A proposta prevê ainda recadastramento anual dos titulares e grupos familiares e abertura de um prazo de 90 dias para adesão de titulares que atualmente estejam fora do Saúde Caixa.
Encerrado esse período, quem cancelar sua adesão não poderá voltar ao plano. A regra é mais restritiva que a vigente, que permite nova inscrição após dois anos de ausência, mediante cumprimento das condições previstas no ACT. Segundo a Caixa a intenção seria proteger a sustentabilidade e o mutualismo do plano.
(Com informações Contraf-CUT)