Sindicato dos Bancários de Campinas e Região

A 11ª rodada de negociação da Campanha Nacional 2026 terminou nesta quarta-feira (26), após quase 10 horas de duração, com a rejeição pelo Comando Nacional dos Bancários de novas propostas apresentadas pela Fenaban.

A mesa foi marcada pela insistência da Fenaban em diferenciar os índices de reajuste das diversas verbas da categoria, utilizando indicadores diferentes do INPC e, na prática, sempre inferiores à inflação.

Ao mesmo tempo, os bancos trouxeram novas discussões e alterações pontuais, sem avançar no ponto central da negociação: o índice de reajuste e a garantia de ganho real para os bancários.

“A Fenaban segue uma política ‘a conta-gotas’, com poucas mudanças pontuais a cada rodada, e sempre associadas a retiradas de outros direitos ou a argumentos de que os bancários já têm muito. A categoria quer valorização para avançar na negociação”, avalia o presidente do Sindicato, Lourival Rodrigues, que acompanha a negociação em SP.

As propostas apresentadas nesta quarta-feira mantiveram reajuste para salários e a maioria das demais verbas, incluindo PLR, VA e ATS de 2,57%.

Ao longo do dia, houve uma majoração mais significativa apenas no VR, que chegaria a 4,5%, com cálculo baseado no IPCA de refeição fora do domicílio. Mas a Fenaban propôs o fim da gratificação semestral e das gratificações de caixa e quebra de caixa, que seriam mantidas por mais um ano, e sem reajuste, como período de transição. O argumento é de que, com a tecnologia e o novo cenário do setor bancário, essas verbas não se justificam mais e se restringem a menos de 7% da categoria.

“A Fenaban insiste em um reajuste baseado no IPCA da alimentação no domicílio, Mas por que este índice? Por que não repor o INPC (inflação) dos últimos 12 meses, que já é o esperado? Além disso, sempre que oferece algo, retira de outro lado. Está complicado”, diz Lourival.

O movimento sindical calcula que o INPC do período está estimado em 4,13% e que o valor oferecido até agora, é, portanto, abaixo reposição da inflação – com perda real no poder de compra dos bancários. “Não dá para entender quais são os parâmetros dos banqueiros para negociar com a categoria. Mas todo mundo conhece bem como os lucros dos bancos são calculados.”

Também a vice-presidente do Sindicato, Ana Stela Alves de Lima, está em SP para representar a base no processo de negociação da Convenção Coletiva dos Bancários, biênio 2026-2028.

Confira a proposta:

  • Salários: 2,57%
  • Salário de ingresso: 2,57%
  • PLR: 2,57%
  • VA: correção pelo IPCA da alimentação no domicílio;
  • VR: correção pelo IPCA da alimentação fora do domicílio;
  • Auxílio-creche e auxílio-babá: 2,57%
  • Auxílio para filhos PCD: 2,57%, sem limite de idade;
  • Teletrabalho: 2,57%;
  • ATS (Adicional por Tempo de Serviço): 2,57%
  • Auxílio-funeral: manutenção do benefício e reajuste 2,57%.

O Comando manteve sua postura em defesa de ganho real, valorização da categoria e manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, lembrando a lucratividade do setor e o amparo às demandas da categoria, entre elas, a discussão sobre VA e VR e a defasagem histórica do benefício, como forma de pressionar os bancos a aumentarem os valores.

Segundo dados apresentados na negociação, entre 2019 e 2022, a inflação dos alimentos no domicílio chegou a 58%, enquanto o reajuste do VA no período foi de 31%, resultando em uma defasagem calculada em 16,9%.

A negociação será retomada nesta quinta-feira (27). As mesas dos acordos específicos de Caixa e Banco do Brasil foram adiadas para amanhã. O Sindicato participa das negociações em São Paulo, representado pelo presidente, Lourival Rodrigues, e pela vice-presidente, Ana Stela Alves de Lima.

A negociação continua. A mobilização também.

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