Por Lourival Rodrigues
Presidente do sindicato dos Bancários de Campinas e região
Os bancos brasileiros estão se preparando para um futuro cada vez mais tecnológico. E os números impressionam.
Nesta terça-feira, 25 de agosto, a Febraban, entidade que representa o setor bancário, divulgou estimativa de R$ 3 bilhões em investimentos, ainda em 2026, em Inteligência Artificial, Analytics e Big Data.
Os investimentos em migração para Cloud (nuvem) devem chegar a R$ 3,9 bilhões, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. E mais, durante a Febraban Tech, os bancos falam em R$ 50,4 bilhões em tecnologia até o final de 2026.
Segundo a entidade, os recursos têm como objetivo acelerar processos, ampliar a eficiência, automatizar tarefas e transformar a forma como os serviços financeiros são oferecidos. Mas, em plena Campanha Nacional dos Bancários, e diante desses números, uma pergunta precisa ser feita:
Quanto os bancos estão dispostos a investir nas pessoas que sustentam os resultados que permitem todos esses investimentos?
Até esta quarta-feira, 26 de agosto, as propostas apresentadas pelos bancos para salários e verbas preveem reajuste de 2,57%, abaixo do INPC projetado para os próximos 12 meses, de aproximadamente 4,13%. Na prática, a proposta representa perda do poder de compra dos bancários.
Nas negociações, os bancos insistem no argumento de que a categoria “já tem muito”. Falam em tíquetes, salários acima da média e direitos conquistados ao longo de décadas como “acima da maioria dos trabalhadores brasileiros”.
Neste cenário, é preciso devolver a provocação: quanto os bancos ganham com o trabalho dos bancários?
É evidente que os bancos precisam investir em tecnologia. O problema não é a inovação. O problema é quando a inovação é utilizada para aumentar produtividade e rentabilidade - sem falar em demissões e fechamentos de agências - e ainda assim sem que seus ganhos sejam compartilhados com quem produz esses resultados.
E há algo que a experiência das agências e das unidades de negócio já demonstra: por mais avançada que seja a tecnologia, o trabalho bancário continua dependendo de conhecimento, responsabilidade, relacionamento e capacidade humana de tomar decisões.
Os bancários sabem o que querem e sabem o que podem conquistar.
Aos bancos cabe agora demonstrar o quanto estão dispostos a investir em quem sustenta seus resultados.
Porque o futuro do setor bancário não será construído apenas com inteligência artificial, nuvem e automação.
Será construído também pelas pessoas. E é por isso que pedimos Valorização!